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Diante de Cristo

Sermões expositivos em Colossenses  •  Sermon  •  Submitted
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Notes & Transcripts
Colossenses 2.6–10 RA
Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

Introdução

Dando sequencia até onde já vimos sobre Colossenses e lembrando os irmãos sobre a importância dessa carta é que meditamos neste texto nessa manhã. Primeiro, é importante que lembremos de qual o contexto dessa carta, uma das "Cartas da Prisão” do apóstolo Paulo, endereçada a uma igreja que muito provavelmente ele não conhecia, e que conta com uma das exposições mais claras e essenciais do evangelho:
1de11 suficiência de Cristo, ou seja, nada mais é preciso além dele, pois ele é a plenitude do conhecimento, da sabedoria, do poder, tudo está nele, e por causa disso também vemos a (2) afirmação do senhorio, (autoridade, comando de Cristo sobre todas as coisas). Ele não é apenas uma ideia que paira em nossas mentes, nem um conceito abstrato que nos apropriamos para que tenhamos algum benefício próprio. Ele é o Cristo, encarnado, ungido, de carne e osso, que na fragilidade da sua morte triunfou sobre o castigo do pecado que nos assombrava: E em Colossenses vimos que isso é muito mais que uma ideia, é um fato. Nós podemos temer pessoas, ladrões, bandidos, nações poderosas, mas nada nos assombra mais do que a morte, e foi essa morte que Cristo derrotou de uma vez por todas (Lembrar 1 Co 15, “tragada foi a morte”) e que o faz SUFICIENTE e SENHOR sobre todas as coisas.
(1) a total suficiência de Cristo, ou seja, nada mais é preciso além dele, pois ele é a plenitude do conhecimento, da sabedoria, do poder, tudo está nele, e por causa disso também vemos a
(2) afirmação do senhorio, (autoridade, comando de Cristo sobre todas as coisas). Ele não é apenas uma ideia que paira em nossas mentes, nem um conceito abstrato que nos apropriamos para que tenhamos algum benefício próprio. Ele é o Cristo, encarnado, ungido, de carne e osso, que na fragilidade da sua morte triunfou sobre o castigo do pecado que nos assombrava: E em Colossenses vimos que isso é muito mais que uma ideia, é um fato. Nós podemos temer pessoas, ladrões, bandidos, nações poderosas, mas nada nos assombra mais do que a morte, e foi essa morte que Cristo derrotou de uma vez por todas (Lembrar , “tragada foi a morte”) e que o faz SUFICIENTE e SENHOR sobre todas as coisas.
E ainda um pouco antes do texto que lemos agora nós vemos a afirmação de que todo conhecimento está em Cristo. Ele é a plena revelação dos mistérios de Deus e excelente, ou seja, suficiente, sobre todos os outros conhecimentos.
Aqui podemos lembrar de uma frase famosa de Abraham Kuyper, que nos ajuda a introduzir o assunto de hoje, na qual ele diz:
“Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: “É meu!“.
Tudo está em Cristo.
E hoje nós iremos falar sobre como estar diante de Cristo. Diante deste conhecimento tão excelente, um tão grande e único Senhor, um único e suficiente salvador. O que temos que fazer? e quais os problemas que dificultam o processo de ter Cristo e apenas Cristo diante de nós e nós diante dele.
E hoje nós iremos falar sobre como estar diante de Cristo. Diante deste conhecimento tão excelente, um tão grande e único Senhor, um único e suficiente salvador. O que temos que fazer? e quais os problemas que dificultam o processo de ter Cristo e apenas Cristo diante de nós e nós diante dele.
Mas o texto que nós lemos começa a desvendar para nós alguns problemas que a igreja de Colossos estava enfrentando, próprios daquele contexto e que tem muito a ver com o que vivemos hoje também. As pessoas daquela igreja estavam tentando “juntar" com o evangelho de Cristo algumas “filosofias” da época, algumas “tradições" dos homens e alguns “espíritos elementares”, e diante da afirmação da suficiência e do senhorio de Cristo, nenhuma dessas alternativas é possível, por isso a necessidade de afirmar enfaticamente Cristo sobre tudo para que estejamos diante apenas dele.
Os problemas dessa igreja podem ser explicados por situações que estão no próprio coração caído do homem, que tenta atribuir alguma parcela de responsabilidade ou mérito ao Evangelho. Quando as “filosofias" tomam conta, (o caso aqui era o gnosticismo, mas toda filosofia tem um quê de conjecturar sobre o mundo sem considerá-lo em sua realidade) acabamos vendo o mundo de forma dividida, em teoria e prática, em santo e profano, em coisas de Deus, e coisas do mundo. Um mundo que podemos controlar. Uma vida dualista, na qual um Cristo que assume a condição de homem não tem muito espaço, e onde a matéria e as coisas do mundo são más e sem possibilidade de redenção. Mas, se Cristo redimiu a nossa carne, porque duvidamos disso e criamos “filosofias" para tentar nos fazer melhores?
mundo que podemos controlar. Uma vida dualista, na qual um Cristo que assume a condição de homem não tem muito espaço, e onde a matéria e as coisas do mundo são más e sem possibilidade de redenção. Mas, se Cristo redimiu a nossa carne, porque duvidamos disso e criamos “filosofias" para tentar nos fazer melhores?
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assume a condição de homem não tem muito espaço, e onde a matéria e as coisas do mundo são más e sem possibilidade de redenção. Mas, se Cristo redimiu a nossa carne, porque duvidamos disso e criamos “filosofias" para tentar nos fazer melhores?
Outro problema está nas “tradições”, naquilo que é pragmático, que funciona, que dá certo. Mas que agrada apenas aos sentidos do homem caído. O problema da tradição é que na maioria das vezes ela se esconde na piedade religiosa. Muitos judeus da época de Jesus se escondiam nisso, nas tradições rabinícas, que poderiam ter toda a capa de piedade e de bondade, mas era “oca” por dentro. Não reconhecia a ele, então era inútil. Muitas das nossas tradições que criamos podem aparentar ser boas, mas na verdade são inúteis. Sem Cristo preenchendo o vazio das tradições, toda piedade e até boa ação é vã, oca e tão (ou até mais) pior que aqueles que não a tem.
O que nós vemos neste texto que acabamos de ler é uma exortação a vida digna “diante de Cristo”. A uma vida “coram Deo”, na presença de Deus e que exige de nós viver na presença e debaixo da autoridade, honra e glória de Deus, manifesto em Cristo Jesus.
O texto que lemos apresenta duas seções que gostaria de apresentar a vocês nessa meditação de hoje.
(1) A primeira nos mostrará afirmações sobre a nossa salvação,
(2) segunda nos alertará quanto aos cuidados que devemos ter nessa vida diante de Deus.

Andando em (diante de) Cristo

Andando em (diante de) Cristo
“(6) Portanto, assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, também andai nele, (7) arraigados e edificados nele e confirmados na fé, como fostes ensinados, sempre cheios de ações de graças [...] “
sempre cheios de ações de graças [...] “
A primeira seção nos introduz dentro deste contexto do “conhecimento de Cristo”, nós podemos ver na seção anterior (1-5) que em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. E a partir deste pressuposto que então devemos continuar nossa leitura (portanto).
“Assim como recebestes”: É muito importante para nós lembrarmos de quando recebemos a Cristo, de quando nos encontramos com ele e de quando o Evangelho da sua graça preciosa nos encontrou. Aqui vemos Paulo lembrar da história deles, da mesma forma como Epafras uma vez pregou e vocês assumiram isso pra vida de vocês, logo, vocês tem um compromisso com isso que é...
“Andai nele”: A declaração principal dessa seção de Paulo: Ande em Cristo, em sentido bem prático de conduzir a sua vida em uma nova perspectiva, um novo olhar, uma nova vida. Não somos mais nós que vivemos, mas Cristo vive em nós e se isso é de fato verdade (que comprovamos com o chamado de quando o recebemos) então isso muda a nossa atitude diante de Deus. Estamos andando em Cristo (lembrar da música “Andando com Cristo / Andando todo dia andando com alegria”).
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nossa atitude diante de Deus. Estamos andando em Cristo (lembrar da música “Andando com Cristo / Andando todo dia andando com alegria”).
E no versículo 7 vemos algumas características que são próprias daqueles que vivem nele e andam diante dele. Se somos salvos, o que temos quando lembramos da nossa história e de quando o evangelho foi pregado e o espírito de Deus falou aos nossos corações, então esse “andar em Cristo” se caracteriza por:
“estar arraigado”: Em outras traduções, enraizados. Isso nos lembra talvez de outra citação de Paulo no início do texto aos Colossensees, na qual ele diz que Deus nos “transportou" ou “transplantou" do império das Trevas e nos trouxe para o reino do filho do seu amor. É uma linguagem “agrícola" da horticultura, que nos lembra de uma árvore com raízes fortes no solo, que está firme NELE, a base, que é Cristo. Você não está enraizado por causa de você mas por causa de Deus e pelo que ele fez em Cristo. A árvore forte e vistosa não cede diante da chuva porque tem uma boa raiz e somos assim, se estivermos “em Cristo”. Ele é a boa raiz que não nos deixa cair diante da tempestade.
“edificados nele”: Aqui temos outra figura que ajuda a melhorar ainda mais esse entendimento. Estar edificado, fundamentado em Cristo. Um prédio não cai se o alicerce for bem feito. Se a casa for construída na rocha, temos segurança. A ideia é a mesma. Se forem as nossas “filosofias",“tradições”, “conhecimentos elementares” isso irá cair, pois é um fundamento de areia. Na pós modernidade, tudo desvanece pelo ar, nada é sólido, talvez isso nos ajude a afirmar sempre que só Cristo é a rocha verdadeira, pedra de esquina, firme fundamento sobre o qual o edifício que somos nós está construído.
,“tradições”, “conhecimentos elementares” isso irá cair, pois é um
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fundamento de areia. Na pós modernidade, tudo desvanece pelo ar, nada é sólido, talvez isso nos ajude a afirmar sempre que só Cristo é a rocha verdadeira, pedra de esquina, firme fundamento sobre o qual o edifício que somos nós está construído.
“confirmados na fé”: Tudo isso tem sido provado na nossa história. Paulo volta a lembrar que a fé no evangelho (e não em qualquer outra coisa) que está confirmando/firmando eles. A fé não é uma aderência pessoal ao conjunto de valores e crenças (como eram as heresais), mas é a firme certeza dada pelo Espírito de Deus em Cristo e em sua obra por nós. O reconhecimento de que Ele é o Senhor. Bem aventurado os que não me viram e creram. Somos partes deste povo, confirmados na fé.
“ações de graças”: transbordando de gratidão. Isso tudo nos leva a pensar que uma vida diante de Deus é uma vida grata a Deus em todas as situações. É isso que lembramos toda vez que nos reunimos em um culto, em uma eucaristia (que é ação de graças), lembramos nesse tempo de uma hora e meia mais ou menos que em todas as 24 horas do nosso dia temos que ser gratos a Deus, transbordar diante dele porque ele fez tudo por nós.
Os três pontos que nos mostram uma vida digna diante de Deus são:
(1) O que Deus fez por nós; (2) Estamos ligados Nele; (3) Transbordamos de ações de graças.
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Os Perigos que Enfrentamos na Vida Prática

"(8) Tende cuidado para que ninguém vos tome por presa, por meio de filosofias e sutilezas vazias, segundo a tradição dos homens, conforme os espíritos elementares do mundo, e não de acordo com Cristo; [...] “
Se na primeira parte vimos as afirmações práticas de uma vida diante de Deus, agora Paulo nos traz cuidados que devemos ter nessa vida diante de Deus, e aqui provavelmente o perigo que assombrava aquela nascente igreja. Existe um perigo que devemos tomar cuidado.
“ninguém vos tome por presa”: existe um “ensino" que tenta nos capturar, levar cativo, aprisionar o nosso coração. O pior é que este perigo muitas vezes não está tão claro, mas se resume na afronta a soberania de Deus que qualquer outro conhecimento que existe tenta usurpar em nosso coração. Roubar o lugar que é dele. E devemos estar atentos a isso. Que ninguém nos tome por presa.

[Mas, o que que nos toma por presa?]

“filosofias e sutilezas vazias”: Paulo já diz, existe uma natureza da filosófica gnóstica que tenta dividir a nossa vida. Que tenta dizer que existe um mundo espiritual bom e mundo material mau o qual devemos fazer uma serie de princípios para então matar essa matéria má. Os gnósticos tiram Cristo porque para eles não é necessário, basta fazer o
que eles dizem. Mas sabemos que matéria e espirito pertencem a Deus, e ele redime em Cristo os dois. Não existe o santo e o profano, o mundo e o não mundo. Existe crentes, transformados, lavados, redimidos, que vivem uma nova vida material/espiritual integralmente pra Deus. Diante de Deus.
ele redime em Cristo os dois. Não existe o santo e o profano, o mundo e o não mundo. Existe crentes, transformados, lavados, redimidos, que vivem uma nova vida material/espiritual integralmente pra Deus. Diante de Deus.
Para Paulo, essas sutilezas vazias, enganosas e vãs, surgem das "tradições humanas”: que tentam colocar uma autoridade humana e não divina sobre as coisas. São aqueles que dizem “não toques, não manuseies” mas minam a autoridade de Cristo e colocam a autoridade de homens. Tão nocivo quanto a heresia que tenta tirar a autoridade de Cristo espiritual/material é também a heresia legalista que tenta dizer o que você deve ou não fazer para estar em Cristo.
Dentro disso estão também "os espíritos elementares" do mundo, que buscam através do misticismo, do paganismo, enredar e escravizar aqueles que andam em Cristo. Que tentam trazer um conhecimento elementar (que não é Cristo) como se fosse a resposta para todos os nossos problemas. Todos eles estão longe de Cristo e escravizam a nossa mente, o nosso coração e a nossa vida prática diante de Deus. É como andar amarrado com aquela bola de ferro, impedidos de andar.

Esses Perigos são vencidos em Cristo

"(9) Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, (10) e nele, a cabeça de todo o principado e poder, tendes a vossa plenitude.”
E é por isso (pelos impedimentos que nossa condição humana e a tentativa de se justificar por si mesmos diante de Deus) que o texto encerra nos lembrando da pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo e das provas da sua autoridade diante de todos os perigos. Enquanto o mar das “vãs filosofias” tenta nos capturar, Cristo acalma-o e nos mostra o seu poder.
“nele habita corporalmente”: Ou seja, contra aqueles que tentavam dividir a realidade, condenando a matéria, Cristo veio em carne. Não em espírito apenas, e nessa carne mora/reside/vive toda a plenitude (aquilo que deixa cheio de uma vez por todas) a divindade. Tudo o que era preciso saber sobre Deus está contido em Cristo. Porque é nele, e não nos poderes cósmicos do mundo, e nem fragmentado em partes (como se precisássemos de alguma coisa mais), ou tivesse dissolvido pelas "religiões", mas é NELE que mora tudo de Deus. Tudo.
“a cabeça de toda o principado e poder”: tudo aquilo que o homem criou ou até ainda vai criar para se justificar ou chegar até Deus é minado/dominado por Cristo. Ele é a cabeça. Ele manda. Todos os príncipes, e autoridades, terrenos ou não, reis deste mundo ou do mundo espiritual, Cristo está sobre todos! Ele domina sobre todos. Isso abala profundamente todas as estruturas de poder das outras religiões, pois, porque ter qualquer outra tentativa (seja qual for...) quando se tem aquele que é superior a todas elas?
espiritual, Cristo está sobre todos! Ele domina sobre todos. Isso abala 10de11
profundamente todas as estruturas de poder das outras religiões, pois,
porque ter qualquer outra tentativa (seja qual for...) quando se tem aquele que é superior a todas elas?
“tendes a vossa plenitude”: A afirmação que nos garante uma vida sincera e honesta diante de Deus. Temos a nossa plenitude. Não precisamos de mais nada. Em Cristo temos o sacrifício perfeito e as condições perfeitas para uma vida digna diante dele. Não precisamos ceder as tentações de trazer o pragmatismo, as tradições dos homens, as filosofias elaboradas e complexas, que podem ter até aparência de piedade, para o nosso meio. Precisamos estar “diantes de Cristo”, (1) lembrando da nossa salvação, quando recebemos o evangelho, (2) lembrando do que ele fez por nós de uma vez por todas, (3) que estamos enraizados e fundamentados nisso.
E isso que nos garante uma vida digna “diante dele”. Que vivamos assim. Andando em Cristo, e não tentemos construir para nós outros meios que não sejam “em Cristo”.
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