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A excelência do conhecimento de Cristo

Sermões expositivos em Colossenses  •  Sermon  •  Submitted
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Notes & Transcripts
Colossenses 2.1–5 RA
Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes. Pois, embora ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.
A carta do apóstolo Paulo aos Colossenses faz parte de uma das seções das epístolas de Paulo conhecidas como “Cartas da Prisão”, que são as 4 cartas de Paulo escritas quando este esteve encarcerado, provavelmente em Roma (na metade do primeiro século). Nesta carta, endereçada a igreja de Colossos, uma igreja que Paulo não conhecia pessoalmente, o apóstolo faz uma defesa sobre a supremacia, suficiência e plenitude de Cristo. Paulo sabe do trabalho de Colossos através do servo Epafras, quem conheceu a Cristo por meio da pregação de Paulo em Éfeso, e quem voltou pra sua cidade natal para plantar uma igreja.
Colossos é uma cidade nem tão importante, nem tão insignificante, e junto com Laodiceia (que é citada no trecho que lemos) e Hierápolis forma o Vale do Rio Lico, que era uma importante região na qual passava uma rota comercial que vinha das cidades do Oriente até Roma. Colossos, por ser “globalizada” tem um problema muito próprio desses ambientes: o multiculturalismo, isto é, muitas culturas vivendo juntas ao mesmo tempo, criando e recriando novas expressões que os definam e relativizando as verdades existentes em detrimento de outras. Este contexto é muito semelhante ao que nós vivemos, uma vez que vivemos em um mundo que diz em alto e bom som: “Não existem absolutos. Tudo é relativo”, e a mensagem do Evangelho, quando não se afirma de forma verdadeira, se reduz aos caprichos do relativismo e do multiculturalismo, e pior: tornando o conhecimento sobre Cristo ou irrelevante ou insuficiente.
Igreja Presbiteriana do Bairro Amambaí João Vinícius de Abreu
1de9 Colossos é uma cidade nem tão importante, nem tão insignificante, e junto com Laodiceia (que é citada no trecho que lemos) e Hierápolis forma o Vale do Rio Lico, que era uma importante região na qual passava uma rota comercial que vinha das cidades do Oriente até Roma. Colossos, por ser “globalizada” tem um problema muito próprio desses ambientes: o multiculturalismo, isto é, muitas culturas vivendo juntas ao mesmo tempo, criando e recriando novas expressões que os definam e relativizando as verdades existentes em detrimento de outras. Este contexto é muito semelhante ao que nós vivemos, uma vez que vivemos em um mundo que diz em alto e bom som: “Não existem absolutos. Tudo é relativo”, e a mensagem do Evangelho, quando não se afirma de forma verdadeira, se reduz aos caprichos do relativismo e do multiculturalismo, e pior: tornando o conhecimento sobre Cristo ou irrelevante ou insuficiente.
E ainda mais profundo é o problema da igreja de Colossos, porque ela tenta “juntar” a mensagem do Evangelho que ouviram e confessaram com outros usos, costumes e culturas da época. O legalismo judaico é uma forte tentação dos primeiros cristãos, mesmos os gentios [a grande maioria ali], e também uma compreensão gnóstica sobre o Evangelho, na qual o conhecimento viria de alguma ascensão espiritual de conhecimento sobre Deus. A situação de Colossos, embora seja uma igreja perseverante e confirmada por Paulo, é de cuidado diante das tentativas de usurpação da totalidade, plenitude e suficiência que somente Cristo poderia revelar. E ao mesmo tempo essa verdade é importante para nós, em um contexto semelhante ao em Colossos, no qual ouvimos constantemente argumentos “que só parecem convincentes” mas fogem de Cristo.
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semelhante ao em Colossos, no qual ouvimos constantemente argumentos “que só parecem convincentes” mas fogem de Cristo.
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É importante lembrar que antes de Paulo fazer essa proposição ele descreve Cristo no centro da vida daquela igreja, estando essa submissa ao “Senhorio de Cristo” sobre todas as coisas e colocando Cristo no centro de tudo o que aconteceu na vida daquela igreja até ali: na plantação, na pregação do Evangelho, na conversão. Tudo só foi possível por meio de Cristo e também só seria mantido por meio dele.
Podemos ver no texto que lemos, que este, em forma de oração e recomendação de Paulo, faz uma argumentação positiva da centralidade da excelência do conhecimento de Cristo. Para o apóstolo é necessário enfatizar que nada menos e nada mais além de Cristo. E que no nosso processo de conhecimento Cristo nunca deve estar em segundo plano.
Paulo com esta seção que lemos prepara para desenvolver um argumento de defesa da fé e da excelência de Cristo diante das heresias que tentavam usurpar o Evangelho, o que vemos mais na frente. Vamos entender agora como que esta introdução de Paulo é importante para que nós tenhamos claro hoje sobre a excelência do conhecimento de Cristo.
Nos versículos 3-4, o apóstolo Paulo faz uma consideração importante pararesponderaos“raciocíniosfalazes”, “argumentosquesóparecemconvincentes” ou até “o segredo sobre a vida”. Existe uma relação íntima sobre a necessidade do conhecimento pleno de Cristo com a defesa da fé diante dos argumentos sofisticados, modernos, refinados, mas que não fazem nada por nós. E também nós, não podemos deixar de conhecer a Cristo [e por isso a necessidade de encorajamento], pois a medida que deixamos de conhecer a Cristo, ficamos sucetíveis aos argumentos perigosos da nossa época.
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sofisticados, modernos, refinados, mas que não fazem nada por nós. E também nós, não podemos deixar de conhecer a Cristo [e por isso a necessidade de encorajamento], pois a medida que deixamos de conhecer a Cristo, ficamos sucetíveis aos argumentos perigosos da nossa época.
Paulo aqui faz um eco da afirmação que ele apresentou agora pouco, quando dizia “Tudo subsiste em Cristo” (). Tudo era mantido por ele. Para Paulo a ideia é que não tem como existir conhecimento de verdade sem considerar que Cristo é dono de todo conhecimento. E é por isso que ele diz antes que o fim é o conhecimento do “mistério" de Deus: Cristo.
A palavra “mistério" não é colocada por acaso. Uma das grandes prerrogativas do gnosticismo (uma das heresias que atacava a igreja) era a existência de um mistério (algo que poucos ou quase ninguém conhecia mas que agora é revelado, normalmente por meio de alguma prática ou consciência diferente). Para Paulo, não existe um conhecimento encoberto. Aquilo que estava dito por sombras ou tipos, ou revelação progressiva de Deus, agora é pleno, completo e suficiente em Cristo. Ele é o mistério de Deus. O conhecimento “oculto" de Deus. Não é preciso ter algo a mais. E aqui podemos lembrar do texto de introdução da epístola aos Hebreus que diz:
“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas
alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que
Hebreus 1.1–4 RA
Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.
alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que
herdou é superior ao deles.”
Eu gosto muito de uma citação da Declaração de Cambridge, um texto confessional e contemporâneo que nos lembra dos pressupostos centrais da Reforma Protestante, e ela diz algo bem interessante sobre o problema que vivemos hoje quanto a “falta de uma fé centrada em Cristo”, ela diz assim:
“À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.”.
Paulo, nestes versículos ainda nos diz sobre “os tesouros da sabedoria e do conhecimento” que estão ocultos, ou encobertos em Cristo. Temos duas possibilidades que ao meu ver são válidas aqui. (1) A primeira é o que está revelado em Cristo, ou seja, ele é o mistério de Deus e agora conhecido por nós, temos o acesso a saber tudo aquilo que é necessário, em Cristo. Nesta possibilidade vemos a revelação. (2) A segunda possibilidade é que toda a sabedoria e conhecimento de Deus só pode ser conhecido por Cristo, e aqui vemos o seu papel mediador. Não existe verdade sem Deus. Não existe conhecimento possível sem a consideração da obra de redenção em Cristo Jesus. Toda tentativa humana de se conhecer algo, seja algo trivial como saber sobre os “funcionamentos dos mercados financeiros” ou algo redentivo como a salvação dos homens não pode ser conhecido plenamente e entendido longe de Cristo.
Paulo, nestes versículos ainda nos diz sobre “os tesouros da sabedoria e do conhecimento” que estão ocultos, ou encobertos em Cristo. Temos duas possibilidades que ao meu ver são válidas aqui. (1) A primeira é o que está revelado em Cristo, ou seja, ele é o mistério de Deus e agora conhecido por nós, temos o acesso a saber tudo aquilo que é necessário, em Cristo. Nesta possibilidade vemos a revelação. (2) A segunda possibilidade é que toda a sabedoria e conhecimento de Deus só pode ser conhecido por Cristo, e aqui vemos o seu papel mediador. Não existe verdade sem Deus. Não existe conhecimento possível sem a consideração da obra de redenção em Cristo Jesus. Toda tentativa humana de se conhecer algo, seja algo trivial como saber sobre os “funcionamentos dos mercados financeiros” ou algo redentivo como a
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salvação dos homens não pode ser conhecido plenamente e entendido longe de Cristo.
As duas palavras: conhecimento e sabedoria são chaves para que possamos afirmar a excelência do conhecimento de Cristo. Quando o apóstolo cita a “sabedoria”2 ele nos lembra de algo muito comum que acontecia na época, que eram os debates filosóficos. A cultura grega que influenciou toda aquele despertamento no império romano para saber os “princípios elementares do mundo”. O que é característico na filosofia é que ela não reconhece uma divindade pessoal, o máximo que ela chega é considerar que existe um Deus, mas muitas vezes este deus abandonou o mundo, ou está distante demais, ou é impossível de se chegar até ele, ou até é uma utopia, um referencial sobre aquilo que não entendemos. O que a filosofia falha é que ela coloca nas pressuposições humanas sobre a vida, o universo e tudo mais, as respostas para a sua salvação e esvai de sentido a cruz, a morte e a ressurreição de Cristo, ou ressignificando tudo isso de forma abstrata ao seu interesse próprio. Mas para Paulo, em Cristo está contida toda a sabedoria necessária, a filosofia, os conhecimentos do mundo, todos estão em Cristo. Sendo que todo saber está em Cristo, um amigo do saber, [filo+sofia] precisa ser amigo de Cristo primeiro aí então se reconciliar com o saber.
Já quando ele vai citar o conhecimento, ele usa a mesma palavra que se usava para explicar o processo de conhecer das religiões de mistérios e gnósticas. Aqui ele nos ajuda entender que ao contrário das tentativas “iluminadas" de um conhecimento superior, em Cristo está o verdadeiro conhecimento. Conhecimento que não é mantido em segredo para “iniciados” nem é preciso que obedeça uma cartilha de regras para adquirir. O conhecimento de Cristo é dado pelo Espírito de Deus, de graça, quando confessamos em fé a ele como Senhor e Redentor nosso. Nada mais é preciso fazer.
1 γνωσεως αποκρυφοι 2 σοφιας
6de9
um conhecimento superior, em Cristo está o verdadeiro conhecimento. Conhecimento que não é mantido em segredo para “iniciados” nem é preciso que obedeça uma cartilha de regras para adquirir. O conhecimento de Cristo é dado pelo Espírito de Deus, de graça, quando confessamos em fé a ele como Senhor e Redentor nosso. Nada mais é preciso fazer.
Em nossos dias é interessante que as vezes o conhecimento é confundido com intelectualidade, com títulos, graduações ou até experiência de vida (pragmatismo). Mas a Escritura, principalmente em Provérbios e em toda consideração sobre o que é conhecimento coloca a realidade prática dele. O problema não é o conhecimento mas o que nós fazemos com ele. O conhecimento está relacionado com a capacidade de discernir, de avaliar, de comparar, de julgar as coisas e considerar o que é bom diante de Deus e a partir disso, viver com esse discernimento sobre toda a vida, tendo: o temor do Senhor. Fazendo um paralelo, é isso que Paulo aqui nos lembra. Em Cristo está todo o conhecimento, todo o temor do Senhor, toda a capacidade de discernir os tempos, as filosofias, o mundo, as próprias “teologias". Tudo está (1) revelado e (2) mediado pro Cristo.
Respondendo a essa pergunta é que podemos voltar no início do texto que lemos (versículos 1-2). No qual o apóstolo Paulo mostra através da consideração do seu esforço como que o conhecimento pleno de Deus iria agir neles. É interessante que isso acontece aqui na forma de uma intercessão de Paulo, por pedidos de orações. O apóstolo mostra que a afirmação do “pleno conhecimento de Deus, Cristo” era o fim no qual algumas praticas estavam relacionadas. O conhecimento não está separado de uma prática. Nós somos responsáveis por aquilo que conhecemos. E os pedidos de Paulo são vistos nas seguintes afirmações:
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relacionadas. O conhecimento não está separado de uma prática. Nós somos responsáveis por aquilo que conhecemos. E os pedidos de Paulo são vistos nas seguintes afirmações:
(1) Os corações de vocês devem estar unidos e animados em amor. Em outra versão podemos ler “confortado” e “vinculado” em amor. A ideia aqui é bem interessante. Paulo demonstra que no conhecimento de Cristo, aprendemos que o seu amor é que une todas as coisas. Que mantém o corpo unido é o amor de Cristo que temos ao conhecê-lo. Conhecer a Cristo transforma os nossos sentimentos e nos conforma ao seu amor. Deus prova o seu próprio amor e nos capacita para amar (não por nós mesmos, mas por ele), pois o amor é o “dom" supremo.
(2) Que alcançassem a riqueza do pleno entendimento: O conhecimento pleno, suficiente e necessário para a vida está em Cristo. Este conhecimento não se compara com nenhum outro pois somente ele é rico dele. Somente quem é rico pode conceder. Somente Cristo que pode dar/revelar o conhecimento.
(3) Que compreendessem plenamente a Cristo: O mistério, que muitos tentam esconder, se apropriar ou subverter é disposto claramente e suficientemente em Cristo. Não é preciso de outros mediadores, de “práticas espirituais” ou “conhecimentos elementares”, somente Cristo.
Interessante que depois de considerar isso sobre Colossos, no verso 5, Paulo faz um elogio a eles, primeiro afirmando que ele está presente ali, como um general confiável e piedoso, e elogia a vida e firmeza que a fé deles tem em Cristo. Devemos ter em mente esse encorajamento para que nós apliquemos essas verdades em nossas vidas.
8de9
Por fim, o que devemos considerar deste texto, e da grande verdade
sobre a excelência do conhecimento de Cristo para nós?
(1) Primeiro, diante das tentadoras propostas humanas que só parecem convincentes, devemos afirmar uma cosmovisão cristã sobre o mundo. Um cristão é alguém de entendimento renovado. Não compreende as coisas como os outros compreendem. Ele vê o mundo a partir de uma perspectiva redentiva, transformadora e cheia de vida. A cosmovisão cristã nos faz perceber que o mistério de Deus revelado em Cristo nos trouxe resposta aos grandes questionamentos da vida e não precisamos mais correr para qualquer outro lugar, tudo o que temos está em Cristo.
convincentes, devemos afirmar uma cosmovisão cristã sobre o mundo. Um cristão é alguém de entendimento renovado. Não compreende as coisas como os outros compreendem. Ele vê o mundo a partir de uma perspectiva redentiva, transformadora e cheia de vida. A cosmovisão cristã nos faz perceber que o mistério de Deus revelado em Cristo nos trouxe resposta aos grandes questionamentos da vida e não precisamos mais correr para qualquer outro lugar, tudo o que temos está em Cristo.
(2) Segundo, diante da falta de disposição e da cegueira do pecado sobre a revelação em Cristo, devemos nos arrepender, confiando em Cristo, e mudando as práticas da nossa vida que em Cristo e em seu conhecimento “excelente” agora são remodeladas e colocadas no rumo certo. Diante do conhecimento de Cristo o pecado é colocado na parede e exige uma resposta. Não é possível permanecer o mesmo depois que conhecemos a Cristo.
(3) E por último, devemos lembrar que o conhecimento de Cristo é algo que depende do Espírito de Deus. Não é uma tarefa intelectual e nem deve ficar guardada em nós. Conhecendo a Cristo, revemos a nossa devocional e a nossa adoração, a medida que ela só pode ser conformada e voltada para Cristo.
Que repousemos e nos esforcemos nessas verdades e afirmemos dia-a- dia a confissão na excelência do conhecimento de Cristo.
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