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SOLA FIDE

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Notes & Transcripts
Como você passa os seus dias? Preocupado com quê? Preocupado com quem?
A resposta a essas perguntas está relacionada com o texto abaixo. Paulo, ao falar sobre salvação, deixa claro que é que deveríamos estar passando os nossos dias.
Após expressar sua grande alegria por Deus-Pai ter nos dado ao Deus-Filho (explico isso melhor à frente), Paulo nos ensina como a graça da salvação é a única coisa que pode dar sentido às nossas vidas. Não há vida sem que estejamos ligados à Cristo.
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
Porque pela graça sois salvos
Paulo, agora, passa a explicar de modo mais preciso o que escreveu no verso 5 — “pela graça sois salvos”. Que somos salvos pela graça, já está muito claro desde o início dessa epístola. Todo o louvor de Paulo até aqui foi exatamente porque Deus foi rico em misericórdia e graça para com Paulo. Foi pela pura graça e não pelas atitudes ou obras que Paulo tivesse praticado.
Tendo por certo (e louvando a Deus por isso) que a salvação dos seres humanos não se dá por méritos desses, mas por graça de Deus, Paulo estende a compreensão sobre a salvação afirmando que ela é recebida por meio da fé. Então, desde de um ambiente recheado de graça, a fé é o meio que a pessoa tem para ser salva. Paulo explica.
Mediante a fé
Fé em quê? Fé em Cristo, em sua morte em nosso lugar, e em sua ressurreição. Fé, também, no poder da ressurreição de Cristo. Fé de que também ressuscitaremos, ou melhor, já nos ressuscitamos “juntamente com ele”, , conforme explicado em páginas anteriores aqui.
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Cristo é o dono do mérito da salvação. Sem ele, ninguém pode ser salvo. Só ele obteve “direito” de salvação, enquanto ser humano. Este direito ele compartilha com todos os que estão nele. Por isso, como afirmam Jamieson, Fausset e Brown, “somente Cristo é o agente meritório”.[1]
Lembre-se de que, no verso 7, Paulo fala da “suprema riqueza da sua graça”. Aqui, o apóstolo expande sua compreensão do que seria tal graça de salvação que vem por meio da fé.
Portanto, a base e o meio de salvação para qualquer um é a fé! E fé não é uma “obra” humana. Se você crê, se você possui fé, isso não é mérito seu. Isso apenas significa que você, um dia, aceitou esse presente de Deus.[2] Vejamos neste versos:
,: justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção, … a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;
: sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
: que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.
Vejam, então, que todos estes textos também apontam para a fé como o meio de salvação. A justiça de Deus só é aplicada a nós mediante a fé. De condenados, nos tornamos justos, apenas por crermos no filho de Deus, em sua morte e ressurreição. Cremos que nada em nós, que tenhamos ou que façamos, traz a nós dignidade de salvação. Somos como o mendigo, totalmente necessitados, pobres, nus, desprovidos de recursos próprios, e mal cheirosos. É sempre assim que ele recebe um novo convertido.
A única coisa que se espera daquele que vem a ele é fé. E até mesmo isso não vem de nós, é um presente também dele. Acompanhemos Paulo.
e isto não vem de vós; é dom de Deus;
Muita gente tem debatido sobre o real significado da palavra “isto” (gr. Τοῦτο). Na língua grega, existem três gêneros: masculino, feminino e neutro. Na língua portuguesa, possuímos apenas dois, masculino e feminino. Aqui, a palavra “isto” é um pronome demonstrativo neutro. Ou seja, ele não pode estar ligado a palavras masculinas ou femininas, pois seria o mesmo que escrevermos “o menina” ou “aquelas ônibus”. Certamente, Paulo não cometeria este erro.
Tendo isso em mente, sabemos então que Paulo não estava falando sobre a fé ou sobre a graça, pois ambos são palavras femininas. Portanto, o “isto” não pode estar relacionado à “graça” nem mesmo à “fé”. Então, a que Paulo se refere quando diz que “isto não vem de vós; é dom de Deus”?
Como é comum na língua grega, o neutro aqui está se referindo a toda a frase ou perícope anterior. Se quiser estudar outros exemplos, é só olhar para e . Em ambas passagens, o “isto” se refere ao contexto anterior narrado pelo escritor.
Portanto, o “isto” que não vem de nós citado por Paulo em refere-se à salvação como um todo, ou seja, à tudo aquilo que é citado imediatamente antes em . (“e isto não vem de vós; é dom de Deus”) é o desfecho.[3]
Essa doutrina sobre a soberania de Deus na salvação dos seres humanos não está apenas aqui em Efésios. Alguns textos bíblicos são importantíssimos para que compreendamos essa doutrina como um todo. Vejamos alguns deles:
: Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.
: Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
: E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.
: Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.
: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
: Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.
: Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?
: Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.
Visto que somos um presente de Deus-Pai para Deus-Filho, Paulo conclui seu pensamento com as palavras:
não de obras, para que ninguém se glorie.
Ou seja, qualquer um que se gloria de sua própria salvação é um insensato, um ser humano que está levemente enganado. Aliás, grandemente enganado, para não dizer quase cego. É completa loucura alguém afirmar que sua salvação se dá por causa de sua própria decisão, atitude ou mérito. Se fosse assim, a salvação seria pelas obras de alguém. O próprio fato de dizer que a salvação é fruto da “decisão” que alguém tomou um dia na vida, leva à conclusão de que a salvação de tal pessoa foi pela “obra” dela, visto que mesmo a mais simples decisão não é nada mais nem menos do que uma “obra”, uma “ação” tomada por alguém.
Sabemos que há um momento na salvação em que a pessoa é chamada a responder ao convite de salvação. Podemos chamar isso do momento da “decisão” de alguém. No entanto, não podemos esquecer de que para responder a esse chamado, é necessário que Deus dê vida àquele que está morto. Sem que Deus inicie o processo, o homem não pode fazer absolutamente nada.
Aliás, quando falamos em obras, atitudes humanas, somos lembrados de que fomos criados por Deus para realizarmos boas obras. Elas não são nada mais do que a obrigação de todo ser humano. Paulo explica o porquê.
Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
Fomos criados à imagem de Deus. O próprio criador revela que o modus operandi do ser criado seguiria o modo do próprio Criador. Este colocou naquele sua imagem e semelhança e é por isso que o que se espera de todo homem não é nada mais nem menos do que boas obras.
Quando alguém afirma que sua salvação está garantida pois o mesmo nunca roubou ninguém, tal pessoa ainda não compreendeu que não roubar alguém não passa de sua obrigação. As boas obras são nossa obrigação. Não as realizar é pecado, também.
Fomos criados do nada em Cristo Jesus (fomos feitos novas criaturas) com o propósito de resgatarmos a vida humana. (Vida humana = Consideração pelo próximo). Curiosamente, fomos criados novamente na regeneração de nossas almas (nossa conversão) para que andássemos sobre boas obras.
A palavra “andar” aqui é a palavra περιπατέω. Esta palavra tem a ver não só com andar sobre duas pernas, mas com estilo de vida, o modo como alguém vive, anda, existe. Assim, na conversão fomos recriados para que nosso estilo de vida daquele momento em diante fosse marcado pelas boas obras.[4]
Elas são uma marca natural de todo aquele que foi regenerado.
Que tal pensar nisso e meditar sobre: de que maneira você pode ajudar alguém hoje? De que maneira você pode exercer seu “amor posto em prática”? De que maneira as boas obras podem se tornar seu estilo de vida? A vida de Cristo era marcada pelas boas obras. Imagino que você e eu não devemos desejar viver de outra maneira que não da maneira como Jesus viveu. Que seja assim, para a glória dele, e para a nossa alegria.
[1] Robert Jamieson, A. R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997), .
[2] Harold W. Hoehner, “Ephesians”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. J. F. Walvoord e R. B. Zuck, vol. 2 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 624.
[3] Harold W. Hoehner, “Ephesians”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. J. F. Walvoord e R. B. Zuck, vol. 2 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 624.
[4] Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (New York: United Bible Societies, 1996), 504.
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